Chamada de Artigos até 30/05/2026

Edital - Sabedorias, Ciências, Educação e Representações Socio-histórico-culturais dos Povos Indígenas do Brasil

 

NOSSOS PASSOS VÊM DE LONGE…

O compromisso da Nova Práxis com os Povos Indígenas não é recente. Desde nossas primeiras obras, e constantemente em nossos eventos, sempre posicionamos a importância dos povos originários, guardando o lugar de sua sabedoria no debate dos mais diferentes temas. Isso aconteceu na obra Mulheres em movimento, na obra Questão social, políticas sociais e direitos já: reflexões para mudar o Brasil e, mais recentemente, na obra Direito, Sociedade, Políticas Criminais e Segurança Pública no Brasil. Mas foi em 2020 que demos um salto importante: uma publicação escrita por intelectuais e lideranças indígenas e militantes não indígenas: a obra Povos Indígenas do Brasil: Direitos, Políticas Sociais e Resistência – singular, por seu conteúdo valioso, diferenciais editoriais e  tradução de todos os resumos em pataxó.  A escassez de material sobre a questão indígena tornou a obra conhecida, passando a figurar em ementas de cursos e bibliografias de concursos públicos. E chegamos ao final de 2025, lançando a 2ª edição.  Mas por que parar nessa obra?

A ideia de ir além, de apresentar uma nova obra, que desse continuidade à primeira, dedicada às sabedorias ancestrais, às ciências, às práticas sociais, às lutas e às representações socioculturais dos povos indígenas do Brasil, entrou para nossas prioridades de 2026, sintonizada com nosso compromisso ético com a memória, a verdade histórica e a justiça social. E assim nasceu a proposta desta publicação – de que trata o presente edital.

A obra  SABEDORIAS, CIÊNCIAS, EDUCAÇÃO E REPRESENTAÇÕES SÓCIO-POLÍTICO-CULTURAIS DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL, representa um espaço para que as vozes originárias — historicamente silenciadas — possam narrar suas próprias trajetórias, conhecimentos e projetos de futuro, rompendo com séculos de apagamento e violência. 

NESSA OBRA O DEBATE CRÍTICO É ESSENCIAL 

O Brasil abriga hoje cerca de 1,7 milhão de pessoas indígenas, pertencentes a mais de 300 povos e falantes de mais de 270 línguas, segundo o Censo 2022 do IBGE. Povos como os Guarani, Yanomami, Tikuna, Xavante, Pataxó, Apurinã, Terena e Kaingang se somam a outros para compor a rica diversidade étnica, linguística e cultural dos povos indígenas no país. Cada um desses povos carrega sistemas próprios de conhecimento sobre o território, a biodiversidade, a saúde, a educação, a organização social e a espiritualidade — saberes que constituem verdadeiras ciências indígenas, muitas vezes invisibilizadas pelos paradigmas acadêmicos ocidentais.

Entretanto, essa riqueza convive com uma história marcada por genocídio, deslocamentos forçados, epidemias, escravização, massacres e políticas sistemáticas de expropriação territorial. Desde a colonização até os conflitos contemporâneos envolvendo mineração ilegal, agronegócio e grilagem de terras e perseguições, os povos indígenas seguem enfrentando embates territoriais e culturais que ameaçam sua existência física e simbólica. Relatórios recentes indicam que as violências contra populações indígenas — invasões de terras, assassinatos de lideranças, ameaças e desassistência estatal — continuam ocorrendo em diferentes regiões do país.

Mulheres e crianças indígenas estão entre as mais vulnerabilizadas nesse cenário. Elas enfrentam múltiplas formas de violência: abusos físicos e sexuais, exploração, insegurança alimentar, mortalidade infantil elevada em algumas regiões e barreiras estruturais para acessar serviços básicos de saúde e educação. Muitas comunidades vivem em contextos de precariedade extrema, agravados pela ausência de políticas públicas efetivas e culturalmente adequadas. Ainda assim, são as mulheres indígenas que frequentemente lideram movimentos de resistência, articulando redes de cuidado, mobilização política e defesa do território.

O acesso à educação permanece um desafio significativo. Embora haja avanços na educação escolar indígena diferenciada e intercultural, devido a programas governamentais e ações do coletivo indígena, muitas comunidades carecem de infraestrutura adequada, formação específica para professores indígenas, materiais didáticos bilíngues e respeito aos calendários e saberes tradicionais. Resistir, nesse contexto, significa também preservar a língua materna, os rituais, as formas próprias de ensinar e aprender, a relação espiritual com a terra e os modos comunitários de viver. A conexão com a natureza não é apenas um traço cultural: é fundamento ontológico, é ciência ecológica milenar, é ética de cuidado com a vida.

Ao mesmo tempo, o Brasil testemunha o fortalecimento de inúmeras lideranças indígenas que ocupam espaços políticos, acadêmicos, artísticos e institucionais. Nomes como Ailton Krenak, Sonia Guajajara e Davi Kopenawa simbolizam uma geração que articula tradição e contemporaneidade, denunciando violações e propondo novos paradigmas de convivência entre sociedade e natureza. Ao lado dessas lideranças, há centenas de intelectuais, artistas, educadores, pajés, jovens comunicadores e militantes não indígenas que constroem alianças em defesa dos direitos originários.

A presente obra, enquanto coletânea, busca recuperar e apresentar todas essas vozes representativas.  Pode-se dizer que, de algum modo, a obra tem por legado ser instrumento de reparação simbólica e política. Ao permitir que diferentes etnias falem por si — com autoria indígena protagonista — a obra contribuirá para desconstruir estereótipos, valorizar epistemologias originárias e ampliar o debate público sobre justiça histórica.

Mais do que um registro, este livro pode se tornar um espaço de escuta coletiva. Um território de papel onde ecoem as vozes dos anciãos, das mulheres, das crianças, dos jovens, das lideranças e dos aliados. Um espaço que evidencie não apenas a dor do genocídio e das violências históricas, mas também a força do coletivo, a criatividade artística, a potência política e a sabedoria ancestral que sustentam a resistência indígena há mais de cinco séculos.

Dar centralidade a essas vozes é reconhecer que a atenção devida aos povos indígenas nas políticas sociais não é concessão, mas obrigação constitucional e moral. É afirmar que o futuro do Brasil passa necessariamente pelo respeito aos territórios, às culturas e às vidas indígenas. Uma coletânea com essa proposta não é apenas um projeto editorial: é um ato de compromisso com a diversidade, com a democracia e com a continuidade da vida.

Serão bem-vindos artigos das diferentes áreas de conhecimento,  na forma de  textos acadêmicos, relatos autobiográficos, ensaios, registros de práticas culturais e produções artísticas, reflexões sobre ciência indígena, experiências de educação indígena, análises sobre currículo e metodologias didático-pedagógicas, análises sobre políticas públicas e narrativas de resistência territorial. Faça parte!

ATENÇÃO AO CRONOGRAMA

-Entrega dos textos – até 30/05/2026
-Avaliação por pares – fluxo contínuo, recepcionando os artigos que chegam
-Pagamento (apenas para aprovados) – a partir das avaliações (prazo limite 30/06/2026)
– Revisão e diagramação – até 30/08/2026

– Impressão gráfica – Setembro/2026

– Entrega do LIVRO IMPRESSO no endereço residencial informado (no Brasil) entre 15 e 30 de outubro de 2026

FORMATAÇÃO DO TEXTO – ACEITAM-SE TRABALHOS JÁ PUBLICADOS

Título (não exceder 15 palavras)
Resumo (máximo 10 linhas, espaço simples)
Palavras-chave: 5 (cinco)
Adotar divisões próprias do desenvolvimento do seu tema, incluindo: INTRODUÇÃO, SUBTÍTULOS TEMÁTICOS, CONSIDERAÇÕES FINAIS e REFERÊNCIAS (máximo de 2 páginas – inclusas no cômputo total de número máximo de páginas –  dando prioridade às obras citadas no texto)

– N° Páginas: Mínimo: 10p e Máximo: 18p.

– Formatação: A4 – tabulação 2,5 em todas as margens 
– Fontes: Arial 12 para corpo de texto e Arial 14, maiúsculas e NEGRITO, para o título
– Espaçamento interlinear e recuo de parágrafo: 1,5
– Aceitam-se notas de rodapé – limitadas a 5 (máx) com 6 linhas no máximo cada uma.

– Citações e referências conf . ABNT 

– Aceita-se imagens (a serem exibidas em preto e branco e tons de cinza) – desde que em alta resolução e do acervo do autor ou com fonte referida

– O texto deverá ser entregue em WORD, DOC ou DOCX. 

ATENÇÃO À ÉTICA

Como já é de conhecimento público, temos muito cuidado com o conteúdo social de nossas obras, sendo contrários a qualquer forma de discriminação, seja étnico-racial, por nacionalidade, sexual, sociocultural, política, religiosa ou de gênero. Por isso, os textos além de um rigoroso olhar acadêmico-crítico, passarão por filtro ético, para assegurar um conteúdo de atemporal valor social, regido pelo respeito à pluralidade humano-social. Por conta disso, menções a nomes de governantes, políticos, partidos, canais de televisão ou figuras públicas não serão aceitas – sendo os autores solicitados a realizar ajustes para participar da publicação.

 ENVIO DO ARTIGO

Encaminhar o artigo anexo, no email: novapraxiseditorial.livros@gmail.com
Informar no assunto: Artigo na obra POVOS INDÍGENAS 
No corpo do e-mail: NOME COMPLETO, EMAIL PREFERENCIAL, FONE/WHATSAPP e ENDEREÇO RESIDENCIAL COM BAIRRO E CEP, bem como o título do artigo apresentado. No anexo: enviar o ARTIGO em word ou docx. 

OBSERVAÇÃO: No caso de artigos assinados por mais de um autor, apenas um (o principal) deverá encaminhar o e-mail; neste caso, contendo as declarações de todos os autores anexas, junto ao mesmo.

 INVESTIMENTO

Aceita-se no máximo 4 (quatro) AUTORES por ARTIGO, devendo cada um INDIVIDUALMENTE assumir o pagamento de sua participação na obra, conforme os valores a seguir especificados, com opção da quantidade de livros que será entregue a cada autor COM FRETE GRÁTIS DENTRO DO TERRITÓRIO NACIONAL:
Opção 1 – 288 reais por autor / ganha 1 livro
Opção 2 – 328 reais por autor /ganha 2 livros
Opção 3 – 368 reais por autor /ganha 3 livros
Opção 4 – 480 reais por autor /ganha 5 livros

O pagamento deverá ser feito dentro do prazo do cronograma (após receber o email de aprovação até a data limite de 30/6/26) sendo essa condição a garantia de sua participação na obra. Apenas os participantes com trabalhos aprovados receberão as instruções de pagamento em seu e-mail.

RESULTADO

A avaliação ocorrerá em fluxo contínuo. Os autores receberão em seu email a informação da aprovação ou pedido de ajustes no texto, caso seja recomendado. Socializaremos a lista dos aprovados no site – na página do edital da obra em 24 de junho de 2026. Não serão emitidas declarações relativas ao resultado dessa seleção. A lista divulgada (e, oportunamente, a publicação) será o comprovante documental. Apenas para os aprovados serão enviadas informações para pagamento de sua participação na obra – em seu email.

 CASOS OMISSOS

A editora, em conjunto com a coordenação da obra, gerenciará a resolução dos casos omissos.
A participação neste edital, pressupõe o conhecimento e aceite inconteste de suas regras, inclusive da avaliação realizada – não sendo devida qualquer justificativa ou parecer sobre a decisão proferida (seja ela de aprovação ou reprovação)., EDUCAÇÃO 

 

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