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Feliz Dia do Trabalho, Trabalhadores(as)!!
por Sarita Amaro Assistente social Pós-doc em Serviço Social Autora de dezenas de livros
Hoje – por conta do feriado – acordamos mais tarde. Deu tempo de tomar o café sentada e não em pé; com calma e sem a correria habitual. Deu tempo de passar um creme no rosto, de colocar a roupa pra lavar, de esticar as pernas no sofá enquanto assistia a um filme, lia o jornal, fazia “palavras cruzadas” (ou, no meu caso, deu tempo de escrever esse texto, em tom reflexivo).
Esse início de dia mais leve, foi vivido por muitos nesse feriado. Mas há quem ainda sonhe em tê-lo. Refiro-me aos diversos trabalhadores de serviços essenciais (que nesse, assim como em outros feriados) sairam de madrugada (ou ainda nem chegaram em casa!).
Então antes de dizer FELIZ DIA DO TRABALHO, proponho refletir sobre a questão: “E SE..”. E se nesse dia quem faz o pão quentinho da padaria, quem cuida do trânsito, quem dirige o ônibus, quem faz o parto dos bebês e quem atende as emergências médicas NÃO estivesse disponível?
Como seria o mundo sem o trabalho do agricultor, do professor, do cuidador, do policial, do socorrista, da “tia/tio do lanchinho”(que leva o lanche até o trabalho de quem não tem tempo de sair para comer), do veterinário que cuida do nosso pet, do pedreiro, do TI, do eletricista, do encanador (ou do “faz tudo”) e prin ci pal men te: da dona de casa (que é a base de todos!).
Precisamos lembrar que mesmo com os novos formatos de trabalho online e remoto, estes trabalhadores continuam dependendo dos outros trabalhadores tradicionais, que plantam, colhem, lavam, passam , cozinham, ensinam, curam e advogam. Precisamos lembrar também que não deveria existir diferenciação entre trabalhadores e o tipo de ofício que representam, se manual, intelectual, ocasional, temporário ou permanente.
Há profissões que trabalham por turnos de 24hs e folgam durante a semana – onde você vê vantagens nisso eles veem estresse e o peso de um oficio exaustivo ao nível biológico: enfermeiros, auxiliares de enfermagem, policiais e profissionais da segurança pública estão no topo dessa lista.
E o que dizer das mulheres, pela dupla ou tripla jornada, cuidando da família (pais, filhos e cônjuge), trabalhando em casa, na rua (trabalho “oficial”) e ainda estudando e/ou fazendo “bicos” para aumentar a renda familiar e garantir o sustento básico? Nunca se esqueça: a história de quem somos hoje começou bem antes de nascermos, pelas mãos calejadas e nem sempre valorizadas de muitas pessoas que conhecemos e de outras que nem ouvimos falar.
Que esse dia do trabalho seja um dia de reflexão, para quem emprega e para quem trabalha, a caminho de mais respeito e valorização para todos que erguem essa sociedade, com a sua “força de trabalho”.
Desejo mais FORÇA para os sindicatos, mais VALORIZAÇÃO para quem trabalha e OPORTUNIDADE de trabalho para quem está na amarga condição de não ter renda fixa, enquanto faz “bicos” e tenta vagas, em busca de recolocação.
Que venham ventos de justiça e dias melhores para todos!